Filomena Almeida
A sua origem é narrada nesta Carta ao Conselho de Administração da Fundação João XXIII:
É com enorme alegria que venho comunicar que fizemos, no dia 3 de março de 2022, a escritura constituinte da Associação ANA-Acolher, Nutrir, Amar.
Penso que todos sabem, mas ainda assim gostaria de relembrar o porquê desta associação.
Na sequência do trabalho que o sector da saúde faz na Guiné-Bissau com a evacuação de crianças para serem operadas ao coração, fomos solicitados para começar a ajudar crianças com cancro. Não conseguindo ficar indiferentes a este pedido e sabendo que seria muito mais difícil fomos de uma forma natural ajudando algumas crianças.
A realidade é que cada criança com cancro vem com a sua mãe, cada criança com cancro deverá ficar uns cinco anos.
Ora para ajudar implicava ter uma casa e consequentemente alimentar e ser totalmente responsável por essas crianças e suas mães.
Há dois anos parte a administração decidiu em reunião não querer assumir a responsabilidade de ter uma casa de acolhimento para estas crianças.
Parar o projeto era já difícil, para não dizer impossível. Assim sendo, começámos por alugar uma casa de uma forma independente da Fundação João XXlll/Casa do Oeste. Assumiram essa responsabilidade três pessoas, nomeadamente eu, a Paula Sequeira e a Fátima Lourenço. Também de uma forma muita natural outras pessoas começaram de imediato a ajudar com bens alimentares e outros. A
solidariedade desenvolveu-se. Entretanto, o projeto foi crescendo e, em sintonia com a DGS de Portugal e a DGS da Guiné, foi-nos pedido para fazer uma comissão de trabalho com médicos e assistente sociais de ambos os países.
O objetivo foi também a oportunidade para os médicos Guineenses poderem discutir com os médicos especialistas portugueses e os casos das suas crianças. De igual modo, esta comissão dá oportunidade aos médicos portugueses de presenciar situações de evolução nunca vistas antes.
Assim, de repente, a casa era demasiado pequena, alugar uma maior trazia do por si uma maior responsabilidade nas despesas fixas e nas despesas alimentares. Era preciso angariar fundos de maior volume, o que nos foi forçando a começar a acrescentar a nova associação.
A ideia foi tomando corpo e mais pessoas foram chegando, participando e ajudando no crescimento e na sustentabilidade do projeto. Essas pessoas são os sócios fundadores e foram quem nos deu força para assumir este grande passo e esta responsabilidade.
ANA nasce para apoiar crianças com cancro e pretende pedir a esta administração um protocolo de parceria de forma a incorporar o conhecimento adquirido nos últimos anos pelo sector da saúde. Estamos convictos que esta foi a melhor solução para todos.
Sabemos de onde vimos, o caminho que trilhamos, as dificuldades que ultrapassamos e a aprendizagem que fizemos enquanto responsáveis pelo projeto de evacuação de crianças da Fundação João XXlll/Casa do Oeste.
Por tudo isto queremos partilhar a nossa alegria, acreditamos que estão felizes connosco.
Acolher, Nutrir e Amar será sempre o que nos une...
Um abraço a todos!
MEMBROS FUNDADORES:
- Joaquim Batalha
- Maria Dulce de Sousa
- João de Sousa
- Paulo Marques
- Manuela Sampaio
- Ofélia Batalha
- Ana Luísa Sousa
- Ana Paneiro
- Sara Santos
- Maria Lurdes Fernandes